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Enquanto tento organizar meus e-mails e, com isso, minha vida, tive a grata surpresa de ouvir na voz de Marina Sena uma música há tempos esquecida, "Da maior importância", de Caetano Veloso.

Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor
Mas você não teve pique e agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique

Mas você não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique...
Mas você
Não teve pique
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Não sou eu quem vai






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Hoje dá-se início ao fim. E isso dói. Desde esse tempo venho pregando!  Vociferando sobre a relação de parceria que deve ser a motivação de qualquer casal. O que me levou a agarrar-me, pregar-me a mim a suprasuficiência da vida conjugal, fazendo dela meu objetivo.  Amo todos aqueles que se riem de mim, mais ainda que os outros.  A contradição entre as camadas das ideias e a dos ideais não era um problema meu. Pregar permitia que eu seguisse não olhando o que doia: o abandono. Até que o real abandono do outro veio para arrancar-me, despregar-me, de onde tentava buscar minha sustentação.   Entregando às pessoas ao redor apenas fragmentos do que havia causado o fim, criei uma nuvem de falas também fragmentárias que acusavam a mim de inocência, tolice, passividade. Contudo, apesar de isso ser possível agora, tais opiniões oriundas dos lábios de pessoas importantes devem ter sido terríveis o suficiente até cinquenta anos atrás.  Exercício de escrita inspirado em...
Tanto por dizer que só mesmo o silencio pode abrangê-lo Afinal o silêncio, mais que ausência, é presença É nele que me expresso É ele que me inquieta, Como me inquieta tudo que é denso Tudo que é presença Tudo que é magia Tudo que é você Então respondo e pergunto: _"Pra que doer?" Escrito em 2009

oitenta e oito

 88 Duas vezes o infinito pôs-se no horizonte 8 infinitos gestados, gerados e vivendo seus próprios infinitos. Anos a serem celebrados Sendo parte de 4,  multiplicou-se, dobrou-se, desdobrou-se Celebramos os 8 pratos postos à mesa sem falta As 8 camas aprontadas para o aconchego das noites As 8 vidas que a ti, hoje, celebram Se agradece às recusas necessárias às batalhas, a sós, enfrentadas às mãos calejadas de trabalho  e suaves de vaidade e beleza Eu, parte dos 23, celebro  a necessidade de ter música na casa  minha parte da herança celebro o prazer dos programas de auditório esquecendo-me na fantasia criada celebro o gosto da dança que, junto à sua beleza,  a faz rainha do baile oitenta e oito: dois infinitos no horizonte.