Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2023

O fim registrado em cartório

" Não facilite com a palavra amor. Não a jogue no espaço, bolha de sabão." Carlos Drummond de Andrade
Enquanto tento organizar meus e-mails e, com isso, minha vida, tive a grata surpresa de ouvir na voz de Marina Sena uma música há tempos esquecida, "Da maior importância", de Caetano Veloso.
  O poema e o registro do fim de um ciclo
Ontem chorei ao dormir por medo de não conseguir ter filhos biológicos. Foi triste, claro, mas também carrega algo, como dizer..., risível. Explico. Há alguns anos eu havia me decidido por não ter filhos de nenhum modo. Mas as relações nos modificam e aí está tragicomicidade do meu choro. A ideia de gerar e gestar me é encantadora, a maternidade não. Esta me assusta por seu caráter eterno, assim como a bala que nunca acaba de uma personagem clariciana. Aos meus vinte e poucos anos, em um grande amor vivido, pensávamos sobre isso. Em um dos melhores momentos de nossa relação, enquanto viajávamos, escolhemos nomes e compramos roupas típicas locais para os futuros bebês. O relacionamento acabou.  Já perto dos 30, havia descartado a maternidade de meus sonhos e planos futuros. Não por uma desilusão do término vivido, tive a sorte de encontrar um grande amor novamente. E, para ele, na constituição de nossa vida, era desejada a ideia dos filhos. Ao longo dessa duradoura relação, minhas v...

Frágeis

Sentimos fragmentos, ao mesmo tempo em que giram caleidoscopicamente,  enausenando o corpo, afugentando a mente que sai em busca de torpor. E como saber nossos desejos se vemos por partes? O riscado do caminho não mais se enxerga  para trás ou para frente Uma montanha-russa, nos alerta, gela a barriga É bom andar de montanha-russa de vez em quando. O perigo está na inércia. Saber descer antes que corpo já não possa mais. E a fadiga seja muita. Como não se perder entre os fragmentos Frágeis.

Esboço

Saí... aos poquinhos Respirei, ainda sem jeito, ainda com medo... Senti o chão... o piso, o cimento, o asfalto e a grama. A grama molhada, a água... Senti a água nos pés, a água correr no asfalto... A água escorrer na pele, descer, correr... Esbocei um grito.

II - Primeira quebra

Na sala de estar Ele, da poltrona: Como podemos ajudar?  - com carinho, tendo paciência... - Só quero lembrar que temos regras e isso- nada te dá o direito de desrespeitar-nos A direita, no sofá, ela lança um olhar de desaprovação-inconformidade. Ela, logo ela... magoada, o centro. Ela.