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II - Primeira quebra

Na sala de estar

Ele, da poltrona: Como podemos ajudar?

 - com carinho, tendo paciência...

- Só quero lembrar que temos regras e isso-nada te dá o direito de desrespeitar-nos

A direita, no sofá, ela lança um olhar de desaprovação-inconformidade.
Ela, logo ela... magoada, o centro. Ela.



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Hoje dá-se início ao fim. E isso dói. Desde esse tempo venho pregando!  Vociferando sobre a relação de parceria que deve ser a motivação de qualquer casal. O que me levou a agarrar-me, pregar-me a mim a suprasuficiência da vida conjugal, fazendo dela meu objetivo.  Amo todos aqueles que se riem de mim, mais ainda que os outros.  A contradição entre as camadas das ideias e a dos ideais não era um problema meu. Pregar permitia que eu seguisse não olhando o que doia: o abandono. Até que o real abandono do outro veio para arrancar-me, despregar-me, de onde tentava buscar minha sustentação.   Entregando às pessoas ao redor apenas fragmentos do que havia causado o fim, criei uma nuvem de falas também fragmentárias que acusavam a mim de inocência, tolice, passividade. Contudo, apesar de isso ser possível agora, tais opiniões oriundas dos lábios de pessoas importantes devem ter sido terríveis o suficiente até cinquenta anos atrás.  Exercício de escrita inspirado em...
Tanto por dizer que só mesmo o silencio pode abrangê-lo Afinal o silêncio, mais que ausência, é presença É nele que me expresso É ele que me inquieta, Como me inquieta tudo que é denso Tudo que é presença Tudo que é magia Tudo que é você Então respondo e pergunto: _"Pra que doer?" Escrito em 2009

oitenta e oito

 88 Duas vezes o infinito pôs-se no horizonte 8 infinitos gestados, gerados e vivendo seus próprios infinitos. Anos a serem celebrados Sendo parte de 4,  multiplicou-se, dobrou-se, desdobrou-se Celebramos os 8 pratos postos à mesa sem falta As 8 camas aprontadas para o aconchego das noites As 8 vidas que a ti, hoje, celebram Se agradece às recusas necessárias às batalhas, a sós, enfrentadas às mãos calejadas de trabalho  e suaves de vaidade e beleza Eu, parte dos 23, celebro  a necessidade de ter música na casa  minha parte da herança celebro o prazer dos programas de auditório esquecendo-me na fantasia criada celebro o gosto da dança que, junto à sua beleza,  a faz rainha do baile oitenta e oito: dois infinitos no horizonte.