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oitenta e oito

 88

Duas vezes o infinito pôs-se no horizonte

8 infinitos gestados, gerados e vivendo seus próprios infinitos.

Anos a serem celebrados


Sendo parte de 4, 

multiplicou-se, dobrou-se, desdobrou-se


Celebramos os 8 pratos postos à mesa sem falta

As 8 camas aprontadas para o aconchego das noites

As 8 vidas que a ti, hoje, celebram


Se agradece às recusas necessárias

às batalhas, a sós, enfrentadas

às mãos calejadas de trabalho 

e suaves de vaidade e beleza


Eu, parte dos 23, celebro 

a necessidade de ter música na casa 

minha parte da herança

celebro o prazer dos programas de auditório

esquecendo-me na fantasia criada

celebro o gosto da dança que, junto à sua beleza, 

a faz rainha do baile


oitenta e oito: dois infinitos no horizonte.

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Sobre mim

O tudo se embaralha e se desdobra em muitas partes: resoluções, medos, impressões, previsões. O tempo todo. Durmo até a hora do almoço. Acordei querendo realizar o tudo e lá vem a gravidade. Estou o avesso do que me projetava. Desejo fazer, resolver, seduzir, conquistar ir pra um lugar meu, mas que me espera para ser construído.  Desespero, me desespero tanto! Me apavora não fazer... Que me socorram, me carreguem, me mimem. Existe algo que chora, algo que sufoca, algo que implora...  algo proibitóriamente pensável:  ser resgatada da torre. Não sei nem mais quem estou... Só sei que dói. Que dói muito.