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Bandolim

 ontem chamei meus fantasmas para dançar

nomeei-os todos e, assim, os evoquei

ou a solitude foi pombo-correio da memória 

e de suas lápides


o primeiro invadiu com um perfume há muito esquecido

veio como parte de uma história

nada acrescentou, nada retirou

restando apenas aquele cheiro que não evoca saudade


o segundo veio todo ar

como redemoinho, girando-me

agora num divertido e acelerado maracatu

e por ser amorfo

invadiu-me de tal modo

que há seus fragmentos em cada órgão de meu corpo

e a ele agradeço

amor em estado de sentimento


passou rapidamente o terceiro

com sua dualidade de conforto e tormento

sua dança que avança e recua 

nossos passos ressaltam nossas cicatrizes

e deixam em aberto o que havia de ser vivido


Anti-Terezinha, há o quarto e até o quinto

que reluto que fantasmas sejam

ainda que me atravessem em sua disforme forma


O quarto se senta em minha mesa, 

preenche minha prateleira de livros

Dorme com meu gato

Foi amor do dia-a-dia

amor concreto com seu hálito quente

e grande dor que decreta seu fim.


O último não quis dançar, mal entrou,

sopra seu sarcasmo em meus ouvidos,

arrepia a pele, 

divaga seriamente aleatoriedades.

me carrega e me derruba

espalha drama, aventura, 

deixa o insólito


Como fosse um par 

que nessa valsa triste se desenvolvesse

as noites sem calor

não são capazes de dar contorno a nada.







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