Saio do trabalho com a cabeça fervilhando de ideias, ao chegar em casa, uma prostração me acomete. Essa prostração ansiosa se escancarou na pandemia, mas não começou lá.
Independentemente de qual foi o ponto inicial, é uma situação que vem se arratstando e segue tal qual uma montanha-russa, com subidas alegres, momentos de conquistas que me deixam toda esperançosa. Aí vou para o fundo da caixa da Pandora agarrada à esperança. Tem sempre havido uma queda. Por isso, talvez, busco conforto e alegrias naquilo que se conhece enos afasta de nós mesmos: séries, reality shows, podcasts, vídeos sobre novelas, tvs e muita, mas muita política. Acompanhada quase sempre de cerveja, vinho, e outros alteradores de consciência para além dos receitados pela minha psiquiatra. Imagino que ela já não mais saiba qual caminho seguir, o que me dizer para que eu me movimente.
Sou uma tímida espalhafatosa, mais espalhafatosa do que permito, acredito. Gosto de atenção e, por isso, quero criar. Tenho tratado essa vontade há tempo como piada "Ah, acho que o jeito é me tornar blogueirinha, viu" "do jeito que está o mundo, vai me restar tentar o Instagram" e blábláblá... Quero escrever e criar. Pode ser que nada disso funcione, que eu não tenha relevância qualquer, mas quero. É preciso, então, enfrentar esse desejo, infantil talvez, e fazer o que fico a pensar o tempo todo.